domingo, 12 de agosto de 2012


“Olha, cuida bem de mim. Cuida do que eu sinto. A gente tem que baixar a guarda, engolir o orgulho, se deixar levar. Se perder para se encontrar. O amor é um encontro. De você com você mesmo. Amar é se ver nos olhos do outro. Mesmo que ele esteja com os olhos fechados. 

Para atravessar agosto é preciso antes de mais nada paciência e fé. Paciência para cruzar os dias sem se deixar esmagar por eles, mesmo que nada aconteça de mau; fé para estar seguro, o tempo todo, que chegará setembro — e também certa não-fé, para não ligar a mínima às negras lendas deste mês de cachorro louco. É preciso quem sabe ficar-se distraído, inconsciente de que é agosto, e só lembrar disso no momento de, por exemplo, assinar um cheque e precisar da data. Então dizer mentalmente ah!, escrever tanto de tanto de mil novecentos e tanto e ir em frente. Este é um ponto importante: ir, sobretudo, em frente.
Para atravessar agosto também é necessário reaprender a dormir. Dormir muito, com gosto, sem comprimidos, de preferência também sem sonhos. São incontroláveis os sonhos de agosto: se bons deixam a vontade impossível de morar neles; se maus, fica a suspeita de sinistros augúrios, premonições. Armazenar víveres, como às vésperas de um furacão anunciado, mas víveres espirituais, intelectuais, e sem muito critério de qualidade.

Pai

Quando penso em meu pai a primeira lembrança é o sorriso, o jeito manso de levar a vida, e a capacidade de ser mais ouvinte do que falante, e para mim isso sempre fez toda a diferença, porque sempre fui muito falante.
Me vem a lembrança dele me ensinando a cozinhar, e elogiando o primeiro arroz papa e sem sal que fiz na vida.
Sendo ombro amigo quando o meu primeiro namorado terminou comigo, e en...
quanto eu chorava e fazia todo o meu drama costumeiro, ele me fez rir dizendo que eu ainda teria mais namorados que a torcida do flamengo, e eu ri e ri com gosto porque ele me faz rir, porque ninguém me imita melhor que ele, imita meus dramas e trejeitos.
Porque meu pai é um pai com todas as letras, com todo amor que coube a ele, com seu jeito calado e discreto, me faz querer ser melhor do que sou, por nunca ter ouvido ele maldizer de ninguém, por ter valores, por ser ombro, força, fé e amor.
Porque me ensinou tanto, e me ensina, porque sabe das minhas imperfeições e me ama assim mesmo, porque homem como ele não tem aos montes pelo mundo e quando a gente é agraciada tendo ele como pai a gente ora e pede pra Deus deixar ele na terra por longos e longos anos.
Porque ele segurou minha mão quando tive medo, e me elogiou quando conquistei vitorias, porque está presente, por ser incrível Vô , e por ser cabeça dura também,por ter seus defeitos, e por ser quem é simples assim, por ser o sessentão mais charmoso que conheço, amo muito e sei que é a serenidade para meu caos, e a bondade que me faz acreditar. Te amo pai.

Iasminny Martins

domingo, 5 de agosto de 2012

Texto de Fabrício Carpinejar

"Você tem medo de se apaixonar. Medo de sofrer o que não está acostumada. Medo de se conhecer e esquecer outra vez. Medo de sacrificar a amizade. Medo de perder a vontade de trabalhar, de aguardar que alguma coisa mude de repente, de alterar o trajeto para apressar encontros. Medo se o telefone toca, se o telefone não toca. Medo da curiosidade, de ouvir o nome dele em qualquer conversa. Medo de inventar desculpa para se ver livre do medo. Medo de se sentir observada em excesso, de descobrir que a nudez ainda é pouca perto de um olhar insistente. Não suportar ser olhada com esmero e devoção. Nem os anjos, nem Deus agüentam uma reza por mais de duas horas. Medo de ser engolida como se fosse líquido, de ser beijada como se fosse líquen, de ser tragada como se fosse leve. Você tem medo de se apaixonar por si mesma logo agora que tinha desistido de sua vida. Medo de enfrentar a infância, o seio que criou para aquecer as mãos quando criança, medo de ser a última a vir para a mesa, a última a voltar da rua, a última a chorar. Você tem medo de se apaixonar e não prever o que pode sumir, o que pode desaparecer. Medo de se roubar para dar a ele, de ser roubada e pedir de volta. Medo de que ele seja um canalha, medo de que seja um poeta, medo de que seja amoroso, medo de que seja um pilantra, incerta do que realmente quer, talvez todos em um único homem, todos um pouco por dia. Medo do imprevisível que foi planejado. Medo de que ele morda os lábios e prove o seu sangue. Você tem medo de oferecer o lado mais fraco do corpo. O corpo mais lado da fraqueza. Medo de que ele seja o homem certo na hora errada, a hora certa para o homem errado. Medo de se ultrapassar e se esperar por anos, até que você antes disso e você depois disso possam se coincidir novamente. Medo de largar o tédio, afinal você e o tédio enfim se entendiam. Medo de que ele inspire a violência da posse, a violência do egoísmo, que não queira repartir ele com mais ninguém, nem com seu passado. Medo de que não queira se repartir com mais ninguém, além dele. Medo de que ele seja melhor do que suas respostas, pior do que as suas dúvidas. Medo de que ele não seja vulgar para escorraçar mas deliciosamente rude para chamar, que ele se vire para não dormir, que ele se acorde ao escutar sua voz. Medo de ser sugada como se fosse pólen, soprada como se fosse brasa, recolhida como se fosse paz. Medo de ser destruída, aniquilada, devastada e não reclamar da beleza das ruínas. Medo de ser antecipada e ficar sem ter o que dizer. Medo de não ser interessante o suficiente para prender sua atenção. Medo da independência dele, de sua algazarra, de sua facilidade em fazer amigas. Medo de que ele não precise de você. Medo de ser uma brincadeira dele quando fala sério ou que banque o sério quando faz uma brincadeira. Medo do cheiro dos travesseiros. Medo do cheiro das roupas. Medo do cheiro nos cabelos. Medo de não respirar sem recuar. Medo de que o medo de entrar no medo seja maior do que o medo de sair do medo. Medo de não ser convincente na cama, persuasiva no silêncio, carente no fôlego. Medo de que a alegria seja apreensão, de que o contentamento seja ansiedade. Medo de não soltar as pernas das pernas dele. Medo de soltar as pernas das pernas dele. Medo de convidá-lo a entrar, medo de deixá-lo ir. Medo da vergonha que vem junto da sinceridade. Medo da perfeição que não interessa. Medo de machucar, ferir, agredir para não ser machucada, ferida, agredida. Medo de estragar a felicidade por não merecê-la. Medo de não mastigar a felicidade por respeito. Medo de passar pela felicidade sem reconhecê-la. Medo do cansaço de parecer inteligente quando não há o que opinar. Medo de interromper o que recém iniciou, de começar o que terminou. Medo de faltar as aulas e mentir como foram. Medo do aniversário sem ele por perto, dos bares e das baladas sem ele por perto, do convívio sem alguém para se mostrar. Medo de enlouquecer sozinha. Não há nada mais triste do que enlouquecer sozinha. Você tem medo de já estar apaixonada." 

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Vivendo


A tudo que me completa, me seduz, me deixa com as pernas bambas olhar sonhador, a tudo, que me atrai, me sufoca, e me faz transbordar em milhares de palavras sem nexos, mais repletas de significados..

ah todas as ruas pelas quais passei, aos sonhos que sonhei completo, e os que deixei pela metade, projetos inacabados e engavetados, para quando tiver tempo de sonhar de novo o mesmo sonho repetidas vezes, sem se tornar monótonos, ou inúteis, afinal são meus, e como boa egoísta, posso me dar ao luxo de re-sonhar.

ah todos os amores que não foram capazes de durar, que perderam a beleza, o sabor, o cheiro de descoberta, e se tornaram apenas isto, ou quase esquecidos, mais ficaram, seja como for, em um cheiro, um lugar, um perfume, uma canção, assim distante.

ah os amigos, que ficaram apesar da minha louca e cansante, inconstancia no pensar e agir,que apesar dos conselhos e minhas promessas de mudar, continuo a cometer erros, e a falhar,aos que foram apenas de estação, de um tempo, mas que tem um ou outro segredo meu, tolos talvez, mas que são únicos e  meus.

para tanto apenas que minha vida não seja sem valor, mais que seja tao especial quanto se apaixonar, pela milésima vez por quem esta ao nosso lado ,nem como ancora nem como asas, apenas presença, sutil, arrebatadora, e constante, balsamo, para minha bagunça sentimental, calma, e calma e tudo que preciso num dia cinzento, que afoba os nervos, me tira os pés da terra, gosto mesmo é de sol, calor, energia e cor, muita cor, pois a vida já tem desamores demais para que eu me anule, e crie mais um casulo em torno de mim...

já tem pessoas frias, e que não amam, para que eu precise fingir amor.. eu amo.. amo e grito esberro, o que for necessário para dizer o que sinto deve ser porisso que tantos se afastam, mais eu preciso é viver, sentir na pele, seja o frescor, seja o amar.. pele.. e deixa ir quem se incomodar eu sou assim mesmo amo por inteiro, vivo por inteiro..

ah mim por isso, por ser capaz de encarrar meus próprios defeitos e devaneios e ainda ser feliz com isto...

Deixe-me aqui


Deixe-me aqui, com meus pensamentos, minha dor, sem explicação que eu possa te oferecer no momento, eu sei o motivo, mas me reservo, um pouco de não querer dizer, pra que dizer que a dor não vai passar com um simples abraço, ou um vai ficar tudo bem, não estou nos meus melhores dias, e por favor deixe me chorar, e me reservo o direito de chorar minha dor, por não ser suficiente, que eu não seja mesmo, assim posso mudar, transformar, pintar, trocar de pele, de rua, de musica, só não dá para sentar e esperar a vida dar as suas tantas voltas, minha paciência e curta para esperar sentada, enquanto vejo todo o sentimento se tornar descartável, como produto de supermercado, fruta que perde sabor, me entristece pensar que no fim, no fim mesmo de tudo, tem dor, lagrimas, arrependimentos, e inúmeras desculpas antes de dizer, seu prazo de validade acabou, como se dizendo isto amenizasse, o fim.
acho que consegui reunir em mim todos os defeitos que aterrorizam os homens, mais e o que sei ser, assim que sou, e isto afasta,assusta e não tem como refazer erros passados, a vida segue seu curso, e encontramos tantas pessoas pelo percurso, que vamos deixando, um pouco de nos, acho que e isso que me entristeceu hoje, mas o motivo real, vou deixar pro travesseiro,

deixe eu ser dor por hoje,

alegria, euforia, amor,

deixe eu ser essência pra você,

deixe que eu seja sua força,

deixe que eu seja eu mesma,

talvez fique tudo bem,

as vezes não é preciso dizer nada, nem ouvir,

apenas sentir,

e se não for pedir muito, fique por perto...

e

deixe

que a brisa que entra pela noite, acalme a mim e minha dor...

e que pela mesma janela venha o sol e aqueça o novo dia...
Não me pergunte nada, somente me abrace forte.
Já não sei mais quem está de partida, se sou eu, ou se é voce que está de partida deisde que chegou..


Eu sei..


Eu sei que você tem medo, eu também tenho medo, tenho medo de acordar aos 35 anos em uma manhã de domingo e não ter ninguém na casa, tenho medo dos portas retratos que sempre tem gente sorrindo pra mim, mas nos dias comuns só tem silêncios e as lembranças de nós dois.
 é admito tenho muitos medos mais isso não significa que parei meu mundo por eles, ainda acordo todas as manhãs, ainda compro meu pão e gosto da mesma marca de achocolatado,  ainda continuo acreditando nas pessoas, e  espero que o bem vença sempre, é eu também sei que a maldade existe, e tem endereço fixo e ainda é chamado de pessoa de bem, mais desses não tenho medo, a maldade é como bumerangue, vai e volta pra quem a faz.
Ainda continuo com minhas manias, escuto as mesmas musicas, e sorrio sem graça quando me fazem elogio.
  E ainda acredito no amor, pois é, apesar de todas as historias infelizes e sem final com viveram felizes para sempre, ainda acredito em amor, amor forte, inesquecível, amor bom, capaz de acrescentar vida, cor, e criar laços duradouros,amor para unir as mãos o corpo e a alma um amor capaz de durar.
sabe ando meio desanimada com o amor, com os relacionamentos, quero dizer meus relacionamentos.
mais apesar de tudo continuo acreditando, porque não nasci pra solidão, fico meio perdida, mais sigo adiante, entre amores sem calor, só um te aqueço hoje, um pouco de carinho, mais tudo lembra aquele seu sorriso de menino mimado, e fico me perguntando quanto tempo dura essa distancia, e quantas vidas tenho que viver sem você, até encostar no teu ombro, porque casa mesmo é seu abraço e ponto final.
E disto que tenho medo, de sempre comparar todos os ombros com teu ombro..

Acha que me conhece, mas não sabe nada sobre mim



Cresci em uma rua que se você passar por ela hoje ainda são as mesmas pessoas que moram lá, as casas são todas as mesmas, tem um supermercado na esquina, e a escola que estudei fica na mesma rua...e  nessa casa fui mais feliz, em uma época que as duas pessoas que mais amo  ainda se amavam...

Eu sempre morei em casa sem cor, já morei em casa sem reboco, deve ser por isso meu  apego por cores.

Eu sou uma mulher de gostos simples, criativa, alegre, risonha, mais também sou forte, sonhadora, romântica,e batalhadora.

Mais você não sabe disso, você não conhece a rua da minha infância, não conhece meus medos, e nunca viu a casa colorida que moro, nunca viu minha parede cor de rosa cheia de fotos de pessoas que amo. E não tem foto sua lá.

Você não sabe que sou sonambula, que conto historias longas enquanto durmo, que levanto ando pela casa, como e volto a dormir.

Você não sabe nada sobre mim, não sabe que gosto de moveis velhos que gosto de reformar de pintar, lixar, e dar vida nova para objetos velhos.

Você não sabe que escrevo textos longos sobre amor, que meus relacionamentos são todos fracassados, ah isso você com toda certeza faz questão de saber sobre mim, né.

Não sabe  que choro antes de dormir, porque não sei lidar com pessoas maldosas não sei o que responder aos hipócritas.

Por isso te digo, você não sabe nada sobre mim, não sabe que defendo com unhas e dentes quem amo, que para mim meu filho é meu tudo,  que apesar de ter sido mãe jovem, ser mãe é o que sei ser, e sou boa nisso.
você só  conhece a faixada, o que te contaram sobre mim, você não conhece meu lado divertido, meu lado romântico, meu melhor lado, minha melhor  fase.

Sabe você conta meias verdades sobre mim, ou conta verdades que me fazem parecer feia e má, mais sabe, eu sou tão boa e tão má, quanto qualquer ser humano, tenho dias feliz, dias depressivos, e dias comuns, e tem dias como hoje que quero te dizer você não sabe nada sobre mim, você não acorda ao meu lado, não almoça na minha mesa e não vive minha vida você nem tem meu telefone na tua agenda então porque gasta seu tempo falando de mim.

E quando as pessoas não sabe nada sobre você elas tem duas opções ou te perguntam ou inventam, prefiro sempre perguntar, por via das duvidas, quem melhor nos conhece somos nos mesmos, ninguém te vê melhor que o espelho você pode ser bom ou ruim, mais te garanto você pode me perguntar quem sou, que te respondo com toda a sinceridade que existe em mim, não sou completa, nem terminada, nem em construção sou a mulher de 22 anos que está aprendendo a viver em um mundo que as pessoas podem ser cruéis,frias mais também podem ser boas, terem duas mãos para ajudar, braços para acolher, ombros para suportar dores, sorrisos para acalmar.

Você não me conhece então use seu tempo em coisas que realmente façam valer a pena você estar no mundo.

Prefiro acreditar que você prefere continuar sem saber, ou se realmente quizer saber, pergunte.