sábado, 29 de outubro de 2011


"Ele disse: não chore que chorar enfraquece.

Eu disse: mas às vezes é como a chuva que se precisa quando tem estiagem demais e tudo fica muito seco."


"Mas nem sempre é necessário tornar-se forte. Temos que respeitar a nossa fraqueza. Então, são lágrimas suaves, de uma tristeza legítima à qual temos direito. Elas correm devagar e quando passam pelos lábios sente-se aquele gosto salgado, límpido, produto de nossa dor mais profunda."

(Clarice Lispector)


Em vez de tentar escapar de
certas lembranças,o melhor
é mergulhar nelas e voltar
à tona com menos
desespero e mais sabedoria

ELA..


E neste 2 de novembro, quando a chuva fina molhar a terra, neste dia meio sombrio, e até triste que combina com ela,lembra a menina que ama a vida, sofre, ama, e tem dias felizes, dias tristes,dias de euforia...
e ela acorda todos os dias, sacode
Ela tem estilo seja lá como definir estilo, bonequinha que perdeu os cachos.
Ela é mais forte do que ferro,
tem dias que acorda e acha que tem 16 anos, coloca o som no ultimo volume, e canta desafinada, como niguem, e ninguem aguenta.
ela tem a força da mãe maravilha.
e ainda ta aprendendo a ser ,
desastrada, chorona, grudenta,
tem dias que ta carente,em outros tranca a casa e fica no mas triste dos silencios,
Ela é engraçada,gosta de dias frios,
gosta de um bom livro,
e de frases que terminem em 3 pontos,
tem vontade de fazer tatuagem, mas nem sabe o que, e tem medo de doer muito.
nunca viajou de avião,nem conhece o mar.
um tanto medrosa, tem medo da solidão, de cancer,
de envelhecer, e ser solitaria..
não e vaidosa, isso ela acha ser um defeito
naõ tem paciencia,
ama correr de moto, andar sem destino,
e nao aprendeu perdoar..
gosta de musica,
se tem algo a ser feito, então é pra hoje, arregaça as mangas e vai lá.
Não se rabaixa, se arrepende mas não perde.
ela pinta as unhas de vermelho,e tem até charme,nãõ aprendeu a dançar, naõ fala duas linguas, é pessima em matematica, é ciumenta,naõ tem noçao de espaço,e ainda se perde em direita e esquerda.
Ela é mulher...
menina,
tenta, luta, se agarra aos sonhos..
e quando a queda no burraco é muito grande, pede escada,
ela acreditou em principes, mas descobriu que viver, apesar de dificil a realidade pode ser boa..
Ela é de tudo um pouco,uma mistura de mae, esposa, estudante, filha,e tem dias que ser apenas ela mesma, a menina, de não ter ninguem para agradar, ninguem pra ser compreensiva, mas em outros dias quer mudar o mundo, concertar a casa, pintar paredes, reformar coisas, pessoas e ela mesma quer ser melhor do que realmente é.
é falante, tagarela, fala tanto que se perde nas palavras.
ela não e tão bonita,nem tem beleza exotica nem coisa semelhante.
ela pensa muito, perde algumas horas de sono, pensando na complexidade do mundo, das pessoas,
ela acredita no amor , naquele que falta o ar,que acrescenta, divide, faz rir,no amor pra vida toda, independente de todas as voltas, idas, perdas,
ela é romantica incorrigivel,
pode chorar horas seguidas,e depois de enxugar todas as lagrimas te dirá, quando é amor verdadeiro vale a pena.
Ela sabe que tem sempre tem alguém pra dizer que ela é complicada,e muitos fugiram por medo, mas ela lida bem com as partidas, as vezes sofre, as vezes lembra, pois pessoas são pessoas, e ela se apega.
para ela amor nunca e de menos,afeto e cumplicidade pra ela acrescenta a relação.
ela é desconhecida, mora numa cidade perdida no mapa,
mas ela quer apenas se feliz, cantar a todos os pulmões,
comer todos os doces saborosos,
ela ri de sí mesma,
sabe seus limites,seus defeitos.
ela só quer ser amada..
e nesse 2 de novembro quem sabe.. mude tudo, ela mude
ela é a menina...
escreve quando tá triste, e quando tá feliz não escreve nem uma linha sequer
ela tem esse blog, que é seu cantinho..sua casa..

hoje..


hoje a dor não encontra mais espaço em mim,
existe tantos lugares vazios em mim, que eu resolvi silenciar a alma,
perdi o rumo a direção, a estrada, o motivo,
perdi até as lembranças,
a musica está no volume maximo, pra que eu nao escute o som que faz quando as lagrimas caem
aquele som, que de tão silencioso,escuto como um lembrete, de tudo que se foi, das pessoas que se foram, de mim que esta aqui, mas quer partir, nem me importa aonde eu vá contando que encontre algo que seja loucura, disparate, que seja amor..
que seja musica suave, maos acalentantes sobre o corpo marcado pela dor sem nome.
que seja simplesmente eu, feliz como outrora,
que seja eu..
que seja eu,
sem dor, sem amargura, sem lagrimas,
e que apesar de todas as perguntas,
a resposta seja tão singela como o amanhecer depois de uma noite insone,
que eu encontre, e apesar de todo o tempo passado, dos dias que vão seguindo,mesmo que meu coraçao esteja em pedaços.
ainda existe em mim, tudo que é seu, um pouco de tudo que ficou,
posso dizer não,
mas ainda penso, lembro, choro, e lamento.
não ter sido suficiente..
e não ser suficiente e o que me doe, doe como ferida que sempre sangra em outubro, me faz chorar em novembro.
porque tudo quer ganhar forma, fora de mim e chegar até voce.
saudade, e tanta saudade, que já não encontra espaço,
virou este texto, sou eu sem mascara, sem nada,
apenas essa garota, que um dia acordou e se viu diante da vida, de ter que ser adulta...
e sentiu falta de ser apenas a menina..

sábado, 1 de outubro de 2011

Eu sei que nunca mais encontrarei ninguém que inspire uma paixão.
Você sabe, não é tarefa fácil amar alguém.
É preciso ter uma energia, uma generosidade, uma cegueira.
Há até um momento, bem no início,
em que é preciso saltar por cima de um precipício:
Se refletirmos, não o fazemos.

Sei que nunca mais saltarei...

(Sartre)
A que tamanho chega a ferida?
O corte que você fez e não voltou para soprar.
A que tamanho chega o rasgo deixado sem curativo?
Aberto.
Abandonado.
Quanto ainda cresce um buraco que já foi milimétrico?
Um pequeno traço.
A que tamanho chega uma ferida regada todos os dias?
Cultivada por alguém como se fosse flor..




[Eduardo Baszczyn